24/12/10

ABORDAGEM ESTRUTURALISTA DA ADMINISTRAÇÃO

ESCOLA ESTRUTURALISTA
Origem :
A Escola Estruturalista, surgiu no final da década de 50, mediante impasse na administração das Organizações da época no qual as escolas existentes não tiveram condições de ultrapassar e conseguir atender as necessidades.
Temas centrais que originou a Teoria estruturalista :
Oposição surgida entre a Teoria Tradicional e a Teoria das Relações Humanas Síntese da Teoria clássica (formal) e da Teoria das Ralações Humanas (informal).
Necessidade de se visualizar "a organização como uma unidade social grande e complexa,onde interagem muitos grupos sociais "
A influência do estruturalismo nas ciências sociais e a repercussão destas no estudo das organizações :
3.a) Estruturalismo Abstrato – A Estrutura é uma construção abstrata de modelos para representar a realidade empírica, idéias de Lévy-Straus.
3.b) Estruturalismo Concreto – A Estrutura é o conjunto de relações sociais num dado momento, idéias de Radcliff-Brow.
3.c) Estruturalismo Dialético – A Estrutura é constituída de partes que, ao longo do desenvolvimento do todo, se descobrem, se diferenciam e , de uma forma dialética, ganham autonomia umas sobre as outras, mantendo a integração e a totalidade sem fazer soma ou reunião entre si, mas pela reciprocidade instituída entre elas.
Síntese = O todo organizacional é maior que a soma das partes.
1 – A SOCIEDADE DE ORGANIZAÇÕES
Para os estruturalistas, a sociedade moderna e industrializada é uma sociedade de organizações, das quais o homem, passa a depender para nascer, viver e morrer.
O Estruturalismo ampliou o estudo das interações entre os grupos sociais iniciado pela Teoria das Relações Humanas para o das interações entre as organizações sociais. Da mesma forma como interagem entre si os grupos sociais, também interagem entre si as organizações.
Segundo Etizioni (professor da universidade de Colúmbia) as organizações sofreram um longo e penoso desenvolvimento, através de quatro etapas, a saber :
1 - Etapa da natureza : Os elementos da natureza, constituíam a base única de subsistência da Humanidade.
2 - Etapa do trabalho : A humanidade se desenvolve transformando os elementos da natureza através do trabalho, e o trabalho passa à condicionar as formas de organização da sociedade.
3 - Etapa do Capital : O capital passa a preponderar sobre a natureza e o trabalho, tornado-se um dos fatores básicos da vida social.
4 - Etapa da organização : O desenvolvimento da humanidade levou gradativamente as forças naturais, o trabalho e o capital a uma submissão à organização.
Ainda segunda Etizioni, a sociedade moderna, ao contrário das anteriores atribui um elevado valor ao racionalismo, à eficiência e à competência, pois a civilização moderna, em grande parte depende, das organizações, como as formas mais racionais e eficientes que se conhecem de agrupamento social.
2 – AS ORGANIZAÇÕES
As organizações constituem a forma dominante de instituição em nossa sociedade: É a manifestação de uma sociedade altamente especializada e interdependente, que se caracteriza por um crescente padrão de vida. No entanto a eficiência só será obtida quando a organização aplicar seus recursos na alternativa que produzir os maiores resultados, levando em consideração os recursos limitados e a energia das diversas pessoas envolvidas entre outras.
As organizações são concebidas como unidades sociais intencionalmente construídas e reconstruídas, a fim de atingir objetivos específicos. Assim uma organização é uma unidade social dentro da qual as pessoas alcançam relações estáveis entre si no sentido de facilitar o alcance de um conjunto de objetivos ou metas.
3 – O HOMEM ORGANIZACIONAL
Aquele que desempenha papéis em diferentes organizações, tendo como princípios as seguintes características :
Flexibilibilidade – Para atender e adaptar-se às constantes mudanças dentro da organização.
Tolerância e Frustrações – Para evitar desgastes emocionais decorrentes da aplicação exaustiva de normas racionais, obtendo conflitos entre os resultados individuais e organizacionais.
Capacidade de adiar recompensas – Para pode compensar o trabalho rotineiro dentro da organização, em detrimento das preferências e vocações pessoais.
Permanente desejo de realização – Para garantir conformidade e cooperação com as normas da organização, proporcionando recompensas, sanções sociais e materiais.
4 – ANÁLISE DAS ORGANIZAÇÕES
A teoria estruturalista pretende conciliar a Teoria Clássica e a Teoria das Relações Humanas, baseando-se também na Teoria Burocrática. Sendo assim surge uma abordagem múltipla com os seguintes aspectos :
Organização Formal e Informal
Recompensas Materiais e Sociais
Diferentes Enfoques / Níveis da Organização
Diferentes Níveis da Organização.
Diversidade de Organizações
Análise Intra-organizacional e Interorganizacional
4.1 ) ORGANIZAÇÃO FORMAL E INFORMAL
A Teoria Estruturalista se situa no problema das relações entre a organização formal e informal. Nesse sentido, o estruturalismo é uma síntese da Teoria Clássica ( formal ) e da Teoria das relações Humanas ( informal ): "encontrar um equilíbrio entre os elementos racionais e não-racionais do comportamento humano constitui um ponto principal da vida, da sociedade e do pensamento moderno.
4.2 ) RECOMPENSAS MATERIAS E SOCIAIS
Os estruturalistas combinaram os estudos da Teoria Clássica e os das Relações Humanas para as recompensas utilizadas pela organização para motivar pessoas . Salientam que tanto a abordagem Clássica quanto a de Relações Humanas são fragmentárias e parciais. Conclui-se então que é de grande significado tanto as recompensas salariais, quanto as recompensas sociais na vida de qualquer organização.
4.3 ) DIFERENTES ENFOQUES / NÍVEIS DA ORAGANIZAÇÃO
Segundo os estruturalistas, as organizações podem ser concebidas em duas diferentes concepções : modelo racional e modelo natural.
Modelo racional – Concebe a organização como um meio deliberado e racional de alcançar metas conhecidas. O modelo racional da organização inclui a abordagem da administração científica com o modelo burocrático / Weber.
Modelo natural – Concebe a organização como um conjunto de partes interdependentes que, juntas, constitui um todo: cada parte contribui com alguma coisa e recebe alguma coisa do todo, que pro sua vez é interdependente com um ambiente mais amplo, objetivando a sobrevivência do sistema.
Síntese : No modelo racional a lógica utilizada é de um sistema fechado, caracterizando expectativas de certeza e previsibilidade, Já o modelo natural a lógica utilizada é de um sistema aberto, caracterizando expectativas de incertezas e de imprevisibilidade.
4.4 ) DIFERENTES NÍVEIS DA ORGANIZAÇÃO
Talcott Parson, sugere que todas as organizações se defrontam com uma multiplicidade de problemas a resolver e que esses problemas são classificados e categorizados para que a responsabilidade pela solução dos mesmos seja atribuída a diferentes níveis hierárquicos da organização. Esses níveis hierárquicos são :
Nível Institucional – É o nível responsável pela definição dos principais objetivos e estratégias da organização e lida com o ambiente externo da organização. (composto por dirigentes e altos funcionários – nível estratégico)
Nível Gerencial – É o nível que cuida do relacionamento e da integração dos níveis Institucional e Técnico e é responsável pela transformação dos objetivos e estratégias em planos e programas para que o nível técnico os execute. (nível intermediário)
Nível Técnico – É o nível que cuida da execução das operações e tarefas,voltadas á curto prazo, seguindo os programas e rotinas desenvolvidas pelo nível gerencial. (nível operacional)
4.5 ) DIVERSIDADE DE ORGANIZAÇÕES
Enquanto as Relações Humanas e a Administração científica focalizaram quase que exclusivamente as fábricas,a abordagem estruturalista ampliou o campo da análise da organização a fim de incluir maior variedade de organizações. Assim as organizações pequenas, médias e grandes, públicas e privadas, empresas dos mais diversos tipos, organizações militares, religiosas, filantrópicas, partidos políticos, sindicatos, prisões.
Sendo assim, para os estruturalistas toda organização na medida que cresce, se torna complexa e precisa ser adequadamente administrada.
4.6 ) ANÁLISE INTRA-ORGANIZACIONAL E INTERORGANIZACIONAL
Os estruturalistas se em uma abordagem de sistema aberto e utilizam o modelo natural de organização como base de seus estudos. Desse modo, a análise organizacional passa a ser feita através de uma abordagem múltipla, ou seja, através da análise intra-organizacional (fenômenos internos) e da análise interorganizacional (fenômenos externos em função das relações da organização estudada com outras organizações do meio ambiente).
A análise das relações interorganizacionais parte do pressuposto de que toda organização funciona na base de transações com outras organizações, sendo que essas transações provocam uma intensa interação entre as organizações, passando a existir uma forte interdependência entre elas.
5 – OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS
As organizações são unidades sociais que procuram atingir objetivos específicos e sua razão de ser é servir a esses objetivos. Quando um objetivo torna realidade, deixa de ser objetivo desejado, nesse sentido um objetivo nunca existe; é o estado que se procura e não um estado que se possui.
O estabelecimento de objetivos por uma organização é intencional, mas não necessariamente racional, pois é um processo de interação entre a organização e o ambiente.
Há cinco categorias de objetivos organizacionais :
Objetivos da sociedade - No geral preenche as necessidades da sociedade ( ordem pública ).
Objetivos de produção - Atende as necessidade do consumidor ( bens de consumo ).
Objetivos do sistema - Enfatiza como funciona o sistema e o que este cria ( ênfase nos lucros ).
Objetivos de produtos - São as características dos bens e serviços produzidos ( qualidade,variedade )
Objetivos derivados - Ponto de referência são os usos que a organização faz do poder originado na consecução de outros objetivos (metas, políticas,investimentos ).
6 – AMBIENTE ORGANIZACIONAL
As organizações vivem em um mundo humano, político, econômico. Ambiente é tudo o que envolve externamente uma organização, que para os estruturalistas o ambiente é constituído pelas outras organizações que forma a sociedade.
Uma organização depende de outras organizações para seguir o seu caminho e atingir seus objetivos. A interação entre a organização e o meio ambiente torna-se fundamental para a compreensão do estruturalismo.
6.1 ) – CONFLITOS ORGANIZAÇIONAIS
Os estruturalistas discordam de que haja harmonia de interesse entre patrões e empregados ou que essa harmonia deva ser preservada pela Administração, através de uma atitude compreensiva e terapêutica nivelando as condutas individuais.
Conflito significa a exist6encia de idéias, sentimentos, atitudes ou interesse antagônicos e colidentes que podem se chocar, ou seja condição geral do mundo animal.
O conflito gera mudança e provoca inovação na medida em que as soluções são alcançadas. No entanto essas soluções constituirão a base de novos conflitos que gerarão novas mudanças.
Existem vários tipos de situações dentro das organizações que provocam conflitos. Vejamos algumas delas .
Conflito entre Autoridade do Especialista (Conhecimento) e a Autoridade Administrativa (Hierarquia)
Dilemas da Organização (Conflito da Organização Formal x Organização Informal)
Conflitos entre Linha e Assessoria (Staff)
6.2 – SÁTIRAS À ORGANIZAÇÃO
Os estruturalistas abordam a organização sob um ponto de vista eminentemente crítico. Contudo, surgiram ultimamente livros de cunho humorístico, pitorescos e irreverentes, e que expõem à sátira o paradoxo e o aparente absurdo de certos aspectos tradicionalmente aceitos dentro da organização. Vejamos abaixo leis e princípios de alguns que contribuíram para formação da escola estruturalista.
Lei de Parkinson
Princípio de Peter
Dramaturgia Administrativa de Thompson
Maquiavelismo nas Organizações

7 – APRECIAÇÃO CRÍTICA DO ESTRUTURALISMO
Embora o estruturalismo não constitua uma teoria própria e perfeitamente distinta na Teoria Geral da Administração, ganhou nesta obra um lugar especial, para efeito didático.
Contribuições do estruturalismo para a Teoria Administrativa.
Convergências de várias abordagens diferentes
Ampliação da abordagem
Dupla tendência teórica
Análise organizacional mais extensa
Teoria de transição e de mudanças.

Bibliografia :
Introdução à Teoria Geral da Administração.
Autor – Idalberto Chiavenatto.
Editora Campus.

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